Look

Sobre ter 22 anos e algumas outras coisas

Há uma porção de coisas que ainda não fiz e quero fazer. Sonhos o suficiente para encher um guarda-roupa. Tantas realizações que quero para ontem. Característica típica da minha geração, que vive sempre em um ritmo acelerado e faz várias coisas ao mesmo tempo.  Mas enquanto não conseguimos tudo o que queremos agora, nessa faixa dos 20 e poucos anos, existem tantas outras coisas apenas esperando para serem realizadas.

Não, a vida de “gente grande” não é como esperava aos 15 anos. Os 18 chegaram e foram embora. Então vieram os 19, 20, 21, 22. Quatro anos passando em um piscar de olhos. Sem muita turbulência. Sem muita reviravolta. Ou muita. Depende do ponto de vista. 

Continuei com a mesma personalidade. Impulsiva. Instável. Ansiosa. Sensível. Fazendo tempestade em um copo d’água. Porque pessoas que sentem em excesso são assim. E está tudo bem em não conseguir se conter sempre. Há uma beleza nisso tudo, acreditem ou não. Em apenas ser. Ser quem quisermos. Ser quem o momento exigir. Ser infinito e ainda assim continuar sendo uma. 

Continuo com minha obsessão por panda, gatos, livros, signos e apaixonada pelo universo do Harry Potter. Continuo com a cabeça no mundo da lua, mas aprendi a deixar um pé no chão. A perceber que o mundo é tão, tão grande e eu ainda sou tão jovem para me magoar por pouco. Me ressentir por pouco. Ter vergonha dos meus deslizes. Está tudo bem ser imperfeito. Eu ainda vou pegar muita estrada errada para só então dar um passo certo. E a partir dele aprender a continuar. A seguir em frente. 

Nesses 22 anos, foi só recentemente que descobri que eu consigo ser adaptável às mudanças. Que posso me jogar de cabeça, me arriscar, conhecer novas pessoas e – acima de tudo – me conhecer. O mais engraçado é que foi preciso abrir mão da minha zona de conforto para perceber isso. Foi preciso sair da minha casa, do meu país, do meu lar, do conhecido, para descobrir que o imprevisível nos reserva experiências extraordinárias.

No final do dia, não importa onde estivermos e com quem estivermos, sempre haverá um lar dentro de nós e na bagagem que carregamos.  O nosso corpo é a nossa casa e só quando nos sentirmos confortável dentro dele e com quem somos, deixaremos de nos sentir sozinhos. E isso não é egoísmo. É auto-aceitação, amor próprio e acima de tudo é lindo.

E só agora, depois de tantos textos, reflexões, livros lidos, crônicas, sorrisos, lágrimas e um punhado de coisas que não caberiam neste espaço, percebi que pertenço à mim mesmo e ao mesmo tempo ao mundo todo. Porque algumas pessoas são assim. Se fazem plural dentro de uma.  E como já disse em outro texto, ‘numa’ das minhas conversas internas que vocês sempre leem por aqui: está tudo bem

Acho que vocês perceberam que essa proposta de look do dia foi um pouquinho diferente das outras que tiveram por aqui, né? Geralmente eu tento acompanhar as fotos com uma descrição daquilo que usei. Mas desde o meu aniversário, que foi dia 04 desse mês, queria fazer um post diferente. Não apenas um post de look do dia, mas uma reflexão sobre como estou me sentindo nessa faixa dos 20 e poucos anos. Foi a minha forma de juntar duas coisas que adoro, escrever e tirar fotos (nesse caso o “fotógrafo” foi meu namo :P),  e também de passar uma mensagem para vocês: que está tudo bem ser você mesmo. Tudo bem não se encaixar sempre. Tudo bem se perder vez ou outra. Tudo bem não atender todas as expectativas que jogam em cima de nós quando chegamos nessa faixa etária. Na verdade, está tudo muito mais do que bem. Vocês tem uma força gigantesca e o poder para fazer mais. Ser mais. Mesmo que seja aos pouquinhos. Mesmo que seja através das palavras. Afinal, palavras revolucionam algo inexplicável dentro de nós. Elas machucam, mas também curam. Arrancam sorrisos, suspiros, momentos pequenos de alegria. Elas preenchem. Transbordam e se fazem sentimento por onde passam. Elas transformam os outros, é verdade, mas também transformam nós mesmos. 

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